“E a vida, e a vida o que é diga lá, meu irmão”*

Edu 27 de junho de 2008 às 1:54 am

Não sei se foi Genaro ou Zequinha que me falou isto  mas Meu amigo Alf me disse uma vez que a vida é como o ato de andar. É como equilibrar o ato de cair. É se ajustar como que de forma mágica ao terreno ao colocar o pé que nos move em uma nova posição, irregular e incerta, passando o peso do corpo e ajustando todo nosso centro de massa de forma tal que a gente não caia. Cair este que seria o ato mais natural. O natural seria uma queda e um consequente equilibrio em posição deitada ao solo.

Mas não. Nós caminhamos. Ajustamos como que de forma mágica nosso equilíbrio. Os pés, pernas, quadril e todo o resto do corpo trabalham em conjunto e logramos caminhar, correr.

Assim também é a vida. Nos movemos através do desequilíbrio sempre que estamos dando um novo passo e temos que ajustar nosso centro de massa para que o passo nos leve adiante. Se, por algum motivo, resistimos e movemos os pés sem que o resto do corpo se adapte ao movimento estamos nos arriscando a cair.

Por outro lado, tampouco podemos ficar parados.

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* “O que é, o que é” – Gonzaguinha

Tudo ao mesmo tempo agora, neste instante…

Edu 13 de junho de 2008 às 8:55 pm

Semanas corridas estas últimas duas. E as seguintes prometem seguir o mesmo rítmo.

Quando cheguei aqui e comecei a trabalhar estava decidido a começar, ainda que tarde, a fazer algumas atividades extras que sempre tive vontade. Sem obrigações.

Busquei logo aulas de salsa que foi uma das coisas melhores que eu fiz na Alemanha quando morei por lá. Depois vi a oferta de um curso de “Patrón de Embarcaciones de Recreo” que é o curso preparatório para você tirar o título que te permite navegar com um barco de até 12 metros e até 12 milhas náuticas da costa (uns 20 quilômetros). Decidi entrar neste curso também.

Passei também a ir, de quando em quando, a uma reunião de discussão de doutorado na UAB. Depois, comecei a ajudar um amigo catalão a terminar o trabalho de fim de curso. E, por fim, entrei na aula de bachata e iniciei a terapia.

Minha semana se superlotou. Segundas (algumas) – autônoma, terças – bachata , quartas – salsa, quintas – orientar Carlos, sextas – terapia.

Até ai, tudo ótimo. A vida passa voando e eu me divirto bastante. Acontece que quando chegou junho tudo passou a se complicar à medida que se juntaram outras atividades. Primeiro uma certa pressão no trabalho. Depois tenho que fazer meu imposto de renda aqui e é uma complicação por ser o primeiro, por eu não ser europeu e etc. Depois temos que ensaiar para a festa de fim de curso de salsa e bachata. Vieram as práticas de vela em dois fins de semana seguidos… 10 horas por dia velejando e levando o barco… uma verdadeira maravilha mas me deixou com a sensação que se passaram 3 semanas sem que eu pudesse sentar.

E agora, para complicar, tenho que fazer a papelada da renovação do meu visto. Sem contar toda a papelada e idas no consulado alemão para poder registrar Laura.

Meio mundo de coisas pendentes mas, por outro lado, estou vivendo, aprendendo, ativo, rindo e chorando. Tem tantas coisas para se fazer nesta vida, tanto para se curtir, sentir, viver… que as vezes penso não estou cuidando devidamente de meu recurso mais escasso: o tempo.

“Era uma casa muito engraçada, não tinha teto não tinha nada”*

Edu 24 de maio de 2008 às 11:59 am

Acordo tarde neste sábado. Finalmente depois de uma semana estou realmente em casa. Voltei no domingo mentalmente acabado. Segunda trabalhei até bem tarde e cheguei em casa para dormir. Não consegui até de madrugada e acabei “brincando” de colocar este “novo” blog no ar.

Terça vou dançar e chego em casa morto de sono mas permaneço acordado outra madrugada. Falo longamente com Alf. Esta foi a parte divertida. Na quarta fui “ver” um show de bossa nova com amigos num bar português. Cheguei em casa bem tarde mas ao menos esta noite dormir tarde valeu a pena.

Quinta trabalhei até bem tarde na UAB e acabei dormindo na casa de Genaro. Ontem cheguei “cedo” em casa – por volta das 10 da noite. Finalmente tive tempo de olhar a casa. Não tinha energia para colocar nada em ordem mas pude ver como estava bagunçada.

Finalmente pude dormir bem. Finalmente vi a casa. 90% de minhas roupas estão sujas, odeio o chão grudento, minha pobre cozinha uma confusão, seis garrafas vazias de vinho e muito lixo à espera de ser levado à lixeira mais próxima. Tudo desorganizado.

Não chega a ser o caos mas somente hoje fui capaz de ver, estar em casa, sentir esta tranquilidade de estar em casa. Acordo com mais energia, faço café da manhã e penso que não tomei café da manhã algum durante toda a semana. Coloco música, cozinho devagar. Organizo o lixo, começo a colocar a casa em ordem. Abro a janela e entra uma brisa de chuva maravilhosa, refrescante. Tem muito a ser feito mas sinto uma felicidade em dar os pequenos passos. Paro para comer e coloco um capítulo de House. Quanto tempo que não assisto as séries que tanto gosto. Quanto tempo que não me sinto assim… a vontade.

Necessito de solidão. Preciso de tempo para mim. Tempo para pensar, ou para não pensar. Para mim. Não tinha esta necessidade antes e era “namorada-dependente”. Sou feliz só e me pergunto se posso voltar a ser um dia acompanhado. Mas este não é o pensamento importante.

O importante é: Por que não consigo dar os passos e organizar minha outra casa, está que está um verdadeiro caos, lixo por todos lados, o chão grudento, a cozinha agonizante? Esta minha casa sem paredes e sem teto chamada vida.

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* A Casa – Vinicius de Moraes

"When you only got 100 years to live" [1]

Edu 19 de abril de 2008 às 12:24 pm

Desde que tomei a decisão de abandonar meu cantinho ao sol na minha terra natal parece que os anos tem rendido muito mais. Em 6 anos fiz um doutorado e um pós doutorado, viajei por meia Europa (numa conta imprecisa viajei mais ou menos 100 vezes em avião – entrei em um pela primeira vez com 22 anos), me mudei ao menos 5 vezes, vivi em 3 países, dei muita risada, contei muita história e sofri muito também (não necessariamente nesta ordem).

E, de repente, começo a mentalizar que, apesar de tudo, viver a vida é maravilhoso. É um bilhete só de ida onde você tem que percorrer o caminho com suas próprias pernas mas tem muita coisa interessante para se fazer durante a caminhada.

Nunca em minha vida pensei disfrutar tanto dançando. E, quinta-feira, cheguei em casa morto de cansado, acabado, às 4 da matina, de tanto dançar. Com amigas, com meninas desconhecidas, sozinho, girar, pular, errar passos, sorrir, conversar…

As vezes penso que na rápida ampulheta de uma vida eu demorei muito para descobrir atividades que me fazem feliz. Sim, gosto do que faço para ganhar a vida. Sempre gostei. Mas confesso que passei dos limites. Durante os anos da universidade lembro que ia pela manhã para a UFBa, pela tarde para a UCSal, à noite de volta à UFBa e depois eu ia para a Vitória/Graça dar aulas particulares e com isto ganhar o dinheiro necessário para viver mais uma semana e satisfazer meu sonho de comprar um carro.

Ai, ai… tão efêmero carro… hahahahaha…

Ahh… ainda tinha uma namorada que eu via ao menos 3 dias na semana. Como? Hahahaa….

Gostava muito de minha vida mas ela estava somente de um lado. Demorou para descobrir o que era um restaurante ou o prazer de ter algumas coisas. Demorou mais ainda para curtir viagens e ir a pousadas.

Muito mais para curtir dançar. Agora estou em aulas para aprender a velejar e estou curtindo muito. Minha vida é muito mais intensa e assim como era difícil romper a inércia de quando eu estava parado, trabalhando, agora é difícil romper a inércia das atividades.

Tenho saído muito, com muitos diferentes amigos, e sinto falta de sair com outros amigos. Tenho trabalhado muito, aprendido mais ainda. Sofrido com os caminhos da vida mas curtido também as alternativas que estes caminhos apresentam.

Agora estou em casa, organizando fotos, vendo na janela a luz do sol e me preparando para dar uma saída. Penso em quem sabe poder sair à noite para tomar algo e dançar um pouco. Vejo que tenho muito para arrumar na casa e gosto disso. Penso nos desfios do futuro que me dão medo mas que podem me trazer muita felicidade tbem.

Entro no chat com um amigo e fico super feliz com uma notícia sua. Amo muito meus amigos e é tão bom ter verdadeiro prazer e se sentir verdadeiramente feliz com a conquista dos outros como se fossem suas.

De repente, meus anos tem sido intensos. De repente tenho muito o que contar sobre a semana que se passou. Nesta semana fiz muito. Trabalhei, registrei meu primeiro pedido de patente (espero que saia), encontrei com um amigo brasileiro em lua de mel e ficamos duas noites batendo papo até as 3. Dancei muito, tive 2 aulas e fui uma noite para dançar, dançar até o corpo pedir para parar. Registrei meu domínio e estou entrando na net por pura curiosidade do que são as diferente ferramentas. Criei uma web de brincadeira no meu computador pessoal e estou jogando com “Ruby on rails”. Não, isto de web e dominio e host não vai dar em nada. Mas, não importa. Não sou mais tão exigente comigo mesmo. Está dando diversão e aprendizado agora. É tudo que quero. Um dia feliz não tem preço. Acordar colocando música e fazer as tarefas da casa dançando e cantando é impagável.

Afinal, não posso voltar a esquecer que temos somente 100 anos para viver, e isto, se tivermos muita sorte!

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[1] 100 Years – Five for Fighting

 

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