Archive for the 'Pessoal' Category

“Era uma casa muito engraçada, não tinha teto não tinha nada”*

Edu 24 de maio de 2008 às 11:59 am

Acordo tarde neste sábado. Finalmente depois de uma semana estou realmente em casa. Voltei no domingo mentalmente acabado. Segunda trabalhei até bem tarde e cheguei em casa para dormir. Não consegui até de madrugada e acabei “brincando” de colocar este “novo” blog no ar.

Terça vou dançar e chego em casa morto de sono mas permaneço acordado outra madrugada. Falo longamente com Alf. Esta foi a parte divertida. Na quarta fui “ver” um show de bossa nova com amigos num bar português. Cheguei em casa bem tarde mas ao menos esta noite dormir tarde valeu a pena.

Quinta trabalhei até bem tarde na UAB e acabei dormindo na casa de Genaro. Ontem cheguei “cedo” em casa – por volta das 10 da noite. Finalmente tive tempo de olhar a casa. Não tinha energia para colocar nada em ordem mas pude ver como estava bagunçada.

Finalmente pude dormir bem. Finalmente vi a casa. 90% de minhas roupas estão sujas, odeio o chão grudento, minha pobre cozinha uma confusão, seis garrafas vazias de vinho e muito lixo à espera de ser levado à lixeira mais próxima. Tudo desorganizado.

Não chega a ser o caos mas somente hoje fui capaz de ver, estar em casa, sentir esta tranquilidade de estar em casa. Acordo com mais energia, faço café da manhã e penso que não tomei café da manhã algum durante toda a semana. Coloco música, cozinho devagar. Organizo o lixo, começo a colocar a casa em ordem. Abro a janela e entra uma brisa de chuva maravilhosa, refrescante. Tem muito a ser feito mas sinto uma felicidade em dar os pequenos passos. Paro para comer e coloco um capítulo de House. Quanto tempo que não assisto as séries que tanto gosto. Quanto tempo que não me sinto assim… a vontade.

Necessito de solidão. Preciso de tempo para mim. Tempo para pensar, ou para não pensar. Para mim. Não tinha esta necessidade antes e era “namorada-dependente”. Sou feliz só e me pergunto se posso voltar a ser um dia acompanhado. Mas este não é o pensamento importante.

O importante é: Por que não consigo dar os passos e organizar minha outra casa, está que está um verdadeiro caos, lixo por todos lados, o chão grudento, a cozinha agonizante? Esta minha casa sem paredes e sem teto chamada vida.

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* A Casa – Vinicius de Moraes

Por debaixo da terra…

Edu 11 de maio de 2008 às 11:11 pm

Me sinto como nosso planeta.
Por fora calmo, cheio de vida, as árvores crescem e a vida é exuberante.
Por dentro uma bola de fogo, o magma, altas pressões.

Nos poucos momentos em que algo fura a delicada proteção exterior sai um vulcão de sentimentos e se solidifica uma nova paisagem.

Não sei o porquê mas sempre escondi os sentimentos em uma imágem de pura estabilidade e muitas vezes frieza. Meu irmão que o diga. Poucos foram capazes de ver através da capa.

Qual o problema agora? Perdi completamente o controle sobre o que pode ou não furar a terra… a pressão é muito forte.

Não posso seguir assim por muito tempo. Mas não quero voltar ao equilíbrio anterior. E sinto que sou 10 pessoas em uma. Isto tudo é uma loucura.

O período de céu azul foi maravilhoso, a vida voltou a fazer sentido. Mas estou de volta e, por agora, ainda consigo me manter de pé.

PS.: Quanto aos últimos posts, longos, eles são um esforço para documentar minhas histórias para a posteridade. Penso em um dia juntar tudo em um livro para meus filhos. Quem sabe eles possam me entender algum dia.

A todos uma boa noite de sono.

"Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver"*

Edu 30 de abril de 2008 às 12:52 am

Existem momentos mágicos e deles se alimenta o viver.

Hoje foi um destes dias de céu azul. Sei que é um engano o céu azul no olho do furacão, mas isto não quer dizer que teria que deixar de aproveitar este momento especial.

Fui pro show de Milton Nascimento e Jobim Trio, preparado para ser especial. Mas não estava preparado para tanto. Foi mágico, uma noite mágica.

Mas sei que “meu caminho é de pedras, como posso sonhar”*? “Sonho feito de brisa, vento vem terminar”*.

Espero chegar logo à última estrofe que entitula o post.

A todos muito boa noite que hoje, acredito, dormirei feliz.

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* Travessia – Milton Nascimento

"When you only got 100 years to live" [1]

Edu 19 de abril de 2008 às 12:24 pm

Desde que tomei a decisão de abandonar meu cantinho ao sol na minha terra natal parece que os anos tem rendido muito mais. Em 6 anos fiz um doutorado e um pós doutorado, viajei por meia Europa (numa conta imprecisa viajei mais ou menos 100 vezes em avião – entrei em um pela primeira vez com 22 anos), me mudei ao menos 5 vezes, vivi em 3 países, dei muita risada, contei muita história e sofri muito também (não necessariamente nesta ordem).

E, de repente, começo a mentalizar que, apesar de tudo, viver a vida é maravilhoso. É um bilhete só de ida onde você tem que percorrer o caminho com suas próprias pernas mas tem muita coisa interessante para se fazer durante a caminhada.

Nunca em minha vida pensei disfrutar tanto dançando. E, quinta-feira, cheguei em casa morto de cansado, acabado, às 4 da matina, de tanto dançar. Com amigas, com meninas desconhecidas, sozinho, girar, pular, errar passos, sorrir, conversar…

As vezes penso que na rápida ampulheta de uma vida eu demorei muito para descobrir atividades que me fazem feliz. Sim, gosto do que faço para ganhar a vida. Sempre gostei. Mas confesso que passei dos limites. Durante os anos da universidade lembro que ia pela manhã para a UFBa, pela tarde para a UCSal, à noite de volta à UFBa e depois eu ia para a Vitória/Graça dar aulas particulares e com isto ganhar o dinheiro necessário para viver mais uma semana e satisfazer meu sonho de comprar um carro.

Ai, ai… tão efêmero carro… hahahahaha…

Ahh… ainda tinha uma namorada que eu via ao menos 3 dias na semana. Como? Hahahaa….

Gostava muito de minha vida mas ela estava somente de um lado. Demorou para descobrir o que era um restaurante ou o prazer de ter algumas coisas. Demorou mais ainda para curtir viagens e ir a pousadas.

Muito mais para curtir dançar. Agora estou em aulas para aprender a velejar e estou curtindo muito. Minha vida é muito mais intensa e assim como era difícil romper a inércia de quando eu estava parado, trabalhando, agora é difícil romper a inércia das atividades.

Tenho saído muito, com muitos diferentes amigos, e sinto falta de sair com outros amigos. Tenho trabalhado muito, aprendido mais ainda. Sofrido com os caminhos da vida mas curtido também as alternativas que estes caminhos apresentam.

Agora estou em casa, organizando fotos, vendo na janela a luz do sol e me preparando para dar uma saída. Penso em quem sabe poder sair à noite para tomar algo e dançar um pouco. Vejo que tenho muito para arrumar na casa e gosto disso. Penso nos desfios do futuro que me dão medo mas que podem me trazer muita felicidade tbem.

Entro no chat com um amigo e fico super feliz com uma notícia sua. Amo muito meus amigos e é tão bom ter verdadeiro prazer e se sentir verdadeiramente feliz com a conquista dos outros como se fossem suas.

De repente, meus anos tem sido intensos. De repente tenho muito o que contar sobre a semana que se passou. Nesta semana fiz muito. Trabalhei, registrei meu primeiro pedido de patente (espero que saia), encontrei com um amigo brasileiro em lua de mel e ficamos duas noites batendo papo até as 3. Dancei muito, tive 2 aulas e fui uma noite para dançar, dançar até o corpo pedir para parar. Registrei meu domínio e estou entrando na net por pura curiosidade do que são as diferente ferramentas. Criei uma web de brincadeira no meu computador pessoal e estou jogando com “Ruby on rails”. Não, isto de web e dominio e host não vai dar em nada. Mas, não importa. Não sou mais tão exigente comigo mesmo. Está dando diversão e aprendizado agora. É tudo que quero. Um dia feliz não tem preço. Acordar colocando música e fazer as tarefas da casa dançando e cantando é impagável.

Afinal, não posso voltar a esquecer que temos somente 100 anos para viver, e isto, se tivermos muita sorte!

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[1] 100 Years – Five for Fighting

Adeus, berimbau e saudades

Edu 29 de agosto de 2007 às 10:15 pm

Estou na sala de embarque do vôo TAP 156, partindo de Salvador com destino a Lisboa. As pessoas começam a entrar e a fila está longa. Muita gente, de muitos países diferentes. Afinal este vôo é um dos pontos de conexão de Salvador para toda Europa.

Na frente da fila vejo de relance os cabelos e os gestos de um senhor e me arrepio. Na minha cabeça se materializa a imagem de meu pai, entretanto a razão chega rapidamente me recordando da impossibilidade de que meu pai se encontre aqui neste momento. Acabei de me despedir dele faz uns 10 minutos.

Aeroportos… aeroportos… nunca pensei que estaria tão rodado neles, que teria embarcado e desembarcado tantas vezes, em tantos países e com esperanças, sonhos, perspectivas tão diferentes de uma vez para outra. Nunca pensei que choraria tanto das dores do amor nos aeroportos. Nunca imaginei sentir tanta saudade de mundos tão distintos.

Encontro-me bem, no “player” escuto uma música do Legião Urbana…

“… é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã…”

Observo a gente na fila, entregando a passagem, pegando o canhoto e entrando no sentido do avião. Passa o menino francês e sua família. O “menino do berimbau”. Na fila do raio-X tinha uma família de franceses e um menino de uns 10 anos com uma mochila. Na mochila ele tinha uma miniatura de berimbau de uns 50 cm, uns 10 cm estavam expostos.

Ao chegar no raio-x a família foi avisada de que berimbaus não eram autorizados dentro do avião e que eles teriam que ir até o check-in e embarcar o instrumento. É lógico que se gerou uma tensão entre mãe e filho, mas o filho foi compreensivo e deu o berimbau para a responsável pelo raio-x. Fiquei um pouco triste pelo menino e um pouco chocado quando, rapidamente e sem cerimônia, a mulher se virou para uma caixa de lixo, a abriu e jogou o berimbau, assim, sem escrúpulos, sem pena, sem esperar a saída do menino,… jogou diretamente na lixeira. Estávamos todos da fila indignados, ouvi comentários muito discretos do acontecido em vários idiomas.

Meu primeiro pensamento foi que estamos ficando robotizados, estamos tendendo a ficar tão frios como o que dizemos de nossos amigos do primeiro mundo. Poucos sensíveis e olhando somente às normas absurdas, seguindo cegamente. Na Alemanha entrei no avião com um cortador de temperos com duas lâminas super afiadas. Lembro de ter sido barrado pelo operador mas o responsável olhou e me deixou passar dizendo que eu obviamente não era terrorista afinal meu cortador de tempero estava cuidadosamente enrolado para presente, com cartão e tudo.

Mas o bom senso prevaleceu também para o garoto francês. Um dos funcionários buscou o superintendente que conversou com o piloto do avião e o berimbau foi levado, para felicidade de todos, na cabine do piloto.

A cultura pode até moldar a intensidade de nossas ações, o quanto demonstramos o que sentimos, o que achamos mais ou menos natural, mas seguimos sendo todos humanos. Torcemos todos pelo menino do berimbau independente de onde nascemos e de onde nasceu o menino. Somos no geral contra a injustiça e, acima de tudo, contra fazer uma criatura inocente sofrer, assim, sem motivo.

Aqui sigo eu, no saguão de embarque, escrevendo. Minha hora de entrar no avião está chegando e sei que cada passo será um passo de saudade de mãos dadas com a excitação de estar indo rumo a algo novo.

Meus pais e todo carinho deste período junto com os desafios do novo emprego.
Lençóis e os momentos inesquecíveis; voltar a ter um ap para chamar de lar.
Os novos e velhos amigos do Brasil juntos com os velhos amigos que reencontrarei e os novos que farei.
Clarice Linspector e HP, ambos com seu novos significados.

É, a vida não para e espero que nunca pare de nos surpreender e desafiar.

Olho a fila, chegou a minha vez. Os dois últimos acabam de entrar. É hora de fechar o computador e seguir viagem …

A partir de agora um blog compartilhado…

Edu 24 de julho de 2007 às 3:36 am

Mal iniciei esta brincadeira de escrever o que me der na telha e o espaço virtual já está sendo compartilhado. A partir de hoje crescemos em 100% o “material humano” deste Blog com a entrada de um novo autor, meu grande amigo Alf.
A idéia central continua a mesma, colocar de tudo um pouco com uma certa orientação para a área de informática, atualmente lindamente apelidada de tecnologia da informação.

Alf é uma fera no assunto, amigo meu da faculdade, e com quem tive o prazer de fazer uma série de trabalhos neste período. Nunca trabalhamos juntos mas é verdade que também nunca nos distanciamos. Ele foi até consultor e instrutor para meu grupo no trabalho num projeto de migração de base de dados.

Com diria ele: “Legalzinho, legalzinho…” :)

Espero poder ler aqui também algumas coisas de Clarice Lispector e histórias de viagens. Saudades de La Coruña e seja bem vindo.

Blogar ou não blogar?

Edu 19 de julho de 2007 às 7:21 pm

Blogar ou não blogar? Blogar sobre o que? Em que idioma?

Eu não acredito que o verbo “blogar” exista e tem bastante tempo que eu me questiono sobre iniciar um blog. A resposta não foi simples. Apesar de curtir escrever e ter estado com a cabeça cheia de ideias sobre as quais eu adoraria comentar, algumas coisas sempre me impediram de iniciar um blog.

O primeiro ponto é que eu não gosto de me mostrar muito, de perder minha privacidade. Não tenho qualquer pretensão de ser conhecido ou admirado. Em segundo lugar, eu não tenho um tema específico, especializado, sobre o qual eu gostaria de escrever. Eu poderia escrever sopre “processamento paralelo” que é o tópico que eu estive estudando mais recentemente mas eu não estaria completo falando somente sobre isto.

Conversando com meu irmão, nestas longas férias, eu me convenci que o tópico não é de todo importante. Na realidade, no caso de “blogar”, nada realmente importa uma vez que eu não necessariamente necessito de leitores. Somente quero satisfazer esta necessidade de escrever que aparece de vez em quando.

Minha próxima pergunta seria: Em que idioma? Esta não possui uma resposta simples porque sou brasileiro, morarei na Espanha e tenho amigos de todos os cantos. Neste caso inglês seria a escolha natural mas não estou totalmente feliz com esta opção. E daí? Bem, estou pensando em traduzir os “posts” e ter o blog em alguns idiomas. Será que tenho paciência para fazer isto? Só o tempo dirá.

Na realidade, somente o tempo dirá se eu tenho paciência de escrever com uma certa frequência… vamos ver.


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