Archive for the 'Pessoal' Category

“Ah! Bruta flor do querer. Ah! Bruta flor, bruta flor”*

14 de December de 2009 às 5:45 pm

“As coisas que queremos e parecem impossíveis só podem ser conseguidas com uma teimosia pacífica”
Mahatma Gandhi

Espero que Gandhi esteja certo porque a esta altura do campeonato só me resta a teimosia pacífica mesmo.

 

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*”O quereres”, Caetano Veloso

O que fazer?

30 de November de 2009 às 11:12 pm

O que fazer quando você precisa do amigo que não está?
O que fazer com a lágrima que você não quer chorar?

O que fazer quando a notícia não vem?
O que fazer com tudo que não se tem?

O que fazer quando a saudade aperta?
O que fazer sozinho baixo a coberta?

O que fazer quando encaras teu próprio ser?
O que fazer no momento que anoitecer?

O que fazer quando todos caminhos apontam à derrota?
O que fazer com o tempo que se esgota?

O que fazer quando só existe irracionalidade?
O que fazer contra a falta de simplicidade?

O que fazer para você entender?

O que fazer?
Fazer, o que?

Pedaço de mim (Chico Buarque, 1977)

21 de August de 2009 às 3:58 pm

“Ó pedaço de mim, ó metade afastada de mim
Leva o teu olhar, que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento, é pior do que se entrevar.

Ó pedaço de mim, ó metade exilada de mim
Leva os teus sinais, que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco e evita atracar no cais.

Ó pedaço de mim, ó metade arrancada de mim
Leva o vulto teu, que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu.

Ó pedaço de mim, ó metade amputada de mim
Leva o que há de ti, que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada no membro que já perdi.

Ó pedaço de mim, ó metade adorada de mim
Lava os olhos meus, que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo a mortalha do amor, adeus.”

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Mais fantástico impossível. Ela veio, ficou, levantou, brincou, chorou, andou, jogou, inventou, dormiu, lutou contra o sono, caiu, balbuceou, despertou e partiu.

Eu fiquei na imensidão do vazio deixado.

Programa noturno…

5 de April de 2009 às 1:51 am

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Muito, muito sono mas dormir que é bom… nada!

“Mas ei, ei mãe, por mais que a gente cresça há sempre coisas que a gente não pode entender”*

21 de December de 2008 às 3:32 pm

Não consigo fazer a divisa dos momentos de transição do eu infante ao adolescente e, deste, ao adulto. Muitas vezes acredito já haver nascido cinquentão, um grande careta num corpo de criança. Em outras ocasiões me vejo com certo complexo de Peter-pan, um eterno infante que resiste em deixar de lado o lúdico, a minha própria Terra do Nunca.

Minha razão diz simplesmente que não existe transição radical e que sigo sendo a mesma criança, o mesmo adolescente e adulto em um só. Uma espécie de triplo Yin-Yang.

Mas eu não entendo. Não registro. As vezes me sinto um grande não. E vejo neste eu adulto os mesmos conflitos do eu criança com a diferença que mascaro muito melhor. Sim, a experiência me faz ler as outras pessoas bem melhor, me socializou, me mostrou caminhos e matou dúvidas.
Será que o poeta não é somente alguém registrando e sofrendo tudo aquilo que não viveu enquanto os outros estão exatamente ocupados em viver e sentir?


* “Terra de Gigantes” – Engenheiros do Hawaii

Poucos suspiros poéticos mas muita saudade*

5 de December de 2008 às 3:10 pm

Sim, pouca poesia e pouca prosa. Muita coisa acontecendo mas já faz tempo que minha estabilidade foi pro espaço. Tenho chegado em casa sem vontade de escrever.

Sigo a vida em rítmo intenso, em alta velocidade e me questiono se será somente assim que sei viver.

Passei uma semana muito intensa no Brasil, sem tempo livre para quase nada, vendo amigos e família e trabalhando bastante. Cheguei na segunda-feira de manhã do Brasil e já fui direto ao trabalho. Uma semana de trabalho, um fim de semana que queria ter passado em casa mas que acabou sendo com amigos e, no final, foi excelente. Mais uma semana de trabalho, desta vez um pouco fora de foco.

Pronto. Duas semanas e agora estou aqui, em casa, em plena sexta-feira, com a terrível sensação de estar “filando o trabalho” mas com a empolgação de quando estou me preparando para algo que sei que será, uma vez mais, intenso.

Vou mais uma vez para a Alemanha. Sei que o frio está de matar mas meu coração está totalmente aquecido. Vou matar a saudade de minha pequenina. Esta pequenina que conseguiu me transformar num chorão. Logo eu, um dos editores do livro da razão e que nem lembrava o que eram lágrimas.

Agora me sinto incapaz de olhar algumas fotos, e as vezes me derreto com estúpidos comerciais de margarina, papinha e afins. Tento segurar o choro em livros e filmes.

Saudade… essa minha companheira de sempre. Sinto como se sempre estivesse com saudade de algo ou de alguém mas, ao mesmo tempo, sempre com uma certa empolgação pelo agora e pelo que está por vir. Insano, não?

Escrevo agora somente por um chamado de minha prima. Posso dizer que este post é para ela. Não tinha planos, nem idéia do que sairia nas palavras.

Mas, neste momento, penso somente que estou a minutos de pegar o trem para o aeroporto. E aí vem mais uma das jornadas Barcelona-Bad Lauterberg (uma cidade no meio do nada, no pé das montanhas centrais da Alemanha).

Mas eu já criei uma espécie de rotina para estas viagens. São longas. Começa às 14hs quando saio de casa para o aeroporto. Nada de malas, nem check-in. As passagens são mais baratas assim e tudo é mais prático. Vou somente para o fim de semana e não preciso de muito.

Um livro gordo na mão, uma mente fértil de idéias, pensamentos, e estrada. Eis a combinação perfeita para a viagem que hoje termina somente às 22hs quando eu chego numa cidade chamada Goettingen, onde dormirei já que a esta hora não tem mais transporte que me leve a Bad Lauterberg.

Saudade é bicho esquisito. Amor é mais ainda.

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* Parafraseando “Suspiros poéticos e saudades“, título do famoso livro considerado a obra inicial do romantismo brasileiro, de Domingos José Gonçalves de Magalhães.

Felicidade

21 de August de 2008 às 6:31 pm

A morte é meu lar.

No qual eu espero chegar depois de ter conhecido muita coisa desse vasto mundo.

Rumo a Barcelona

7 de August de 2008 às 4:10 pm

Acabo de entrar no primeiro trem rumo a Barcelona e já sinto saudade da minha pequenina Laura. Depois de tantas idas e vindas por este mundo de Deus eu já conheço bem este tipo de saudade, aquela mesma que eu sinto quando volto do Brasil.

Mas tem uma nuance diferente nesta de agora. Além da intensidade, eu sinto um certo vazio. Um bebê é algo que enche seu tempo e preenche um vazio que você não tinha antes ou que você não sabia que existia.

Eu agora compreendo quando os pais falam que é uma fase maravilhosa e que passa muito rápido. Isto é a mais pura verdade. É uma fase maravilhosa e o dormir pouco, os desesperos sem saber os motivos do choro, etc, não me incomodam nada. O duro é não estar participando 100% do tempo dos descubrimentos, da forma certa de dormir, das piadinhas com ela, de ver sua mínima evolução.

Será que estou corujando demais para um bebê de somente 20 dias?

No mais agora é seguir viagem, curtir muito o curto período em Barcelona porque aqui na Alemanha os revézes são muito grandes e eu já estava no limite do estouro com a mãe de Jana. Não estourei hoje por pura obra divina. Preciso entrar em algum grupo budista :-)

Piadas a parte, agora sigo meu caminho de trem em trem, avião em avião, e de ombro amigo a ombro amigo.

Tudo ao mesmo tempo agora, neste instante…

13 de June de 2008 às 8:55 pm

Semanas corridas estas últimas duas. E as seguintes prometem seguir o mesmo rítmo.

Quando cheguei aqui e comecei a trabalhar estava decidido a começar, ainda que tarde, a fazer algumas atividades extras que sempre tive vontade. Sem obrigações.

Busquei logo aulas de salsa que foi uma das coisas melhores que eu fiz na Alemanha quando morei por lá. Depois vi a oferta de um curso de “Patrón de Embarcaciones de Recreo” que é o curso preparatório para você tirar o título que te permite navegar com um barco de até 12 metros e até 12 milhas náuticas da costa (uns 20 quilômetros). Decidi entrar neste curso também.

Passei também a ir, de quando em quando, a uma reunião de discussão de doutorado na UAB. Depois, comecei a ajudar um amigo catalão a terminar o trabalho de fim de curso. E, por fim, entrei na aula de bachata e iniciei a terapia.

Minha semana se superlotou. Segundas (algumas) – autônoma, terças – bachata , quartas – salsa, quintas – orientar Carlos, sextas – terapia.

Até ai, tudo ótimo. A vida passa voando e eu me divirto bastante. Acontece que quando chegou junho tudo passou a se complicar à medida que se juntaram outras atividades. Primeiro uma certa pressão no trabalho. Depois tenho que fazer meu imposto de renda aqui e é uma complicação por ser o primeiro, por eu não ser europeu e etc. Depois temos que ensaiar para a festa de fim de curso de salsa e bachata. Vieram as práticas de vela em dois fins de semana seguidos… 10 horas por dia velejando e levando o barco… uma verdadeira maravilha mas me deixou com a sensação que se passaram 3 semanas sem que eu pudesse sentar.

E agora, para complicar, tenho que fazer a papelada da renovação do meu visto. Sem contar toda a papelada e idas no consulado alemão para poder registrar Laura.

Meio mundo de coisas pendentes mas, por outro lado, estou vivendo, aprendendo, ativo, rindo e chorando. Tem tantas coisas para se fazer nesta vida, tanto para se curtir, sentir, viver… que as vezes penso não estou cuidando devidamente de meu recurso mais escasso: o tempo.

“ … família, família. Cachorro, gato, galinha. Família, família…”*

25 de May de 2008 às 11:56 pm

Minha confusão tem sido tão grande que acabei por me distanciar de tudo e de todos. Esqueci de que os dias seguiam pasando, perdi total controle sobre o calendário e, agora que estou começando a acordar, me dou conta de que deixei passar algumas datas muito importantes como o aniversário de meu sobrinho-afilhado Gui e de que não consegui falar com meu pai (este eu tentei várias vezes) no aniversário dele.

Mas, mais do que deixar estas datas passarem, o crime foi me distanciar de minha gente; da família e dos amigos. Tem tempo que não telefono para ninguém e passei a fazer mais por obrigação do que por prazer ultimamente. Acho que queria me defender não conversando sobre assuntos espinhosos que na realidade hoje vejo que tem que ser conversados. Não acredito que tenha sido somente defesa. Eu estava muito perdido dentro de mim mesmo.

Durante esta semana pensei muito mais do que o normal em minha família. Pensei muito em família na forma geral da palavra e na minha em específico. Minha filhinha vai precisar de muito tempo para entender a loucura que é a família em que ela está entrando.

Minha mãe tem 7 irmãos: Adalberto, Zé Andrade, Leonora, Manuel, Antônio, Maria Ilda e Raimunda. Não obstante a família de minha mãe foi criada de forma extremamente próxima à famíla da visinha de minha avó na pequena cidade de Antas. Os laços entre as duas famílias foram tão fortes que estas de certa forma se fundiram. E se fundiram a tal ponto que para mim até fins da adolescência era tudo uma família só. E é realmente uma família só apesar de não termos ligações sanguíneas. Então existem mais 6 primos/tios com os quais convivi muito intimamente e convivo até hoje. A maioria deles tiveram mais presença ao longo de minha vida que muitos de meus tios co-sanguíneos. São eles: Mário (meu padrinho), Dadau, Mércia, Marta, Aurí e Leda. Meus filhos vão ter de saída, por parte de mãe, 13 tio-avós.

Por parte de meu pai não é exatamente mais simples. Meus avós paternos morreram quando meu pai ainda era um bebê. Meu pai tinha somente uma irmã: Ceci. Os dois irmãos foram criados por duas irmãs de minha avó. Meu pai foi morar com Antônio e Antônia os quais foram meus avós. Meu pai teve então 6 irmãos mais: Ana, Iara, Betinho, Zélia, Lúcia e Wanda. Com isto já vamos por 7. Meu avô Antônio era uma pessoa espetacular e, tanto a pessoa que cuidava da casa (cuja incrível história vale um post) como sua filha foram criadas em conjunto com a família. Meu pai sempre teve “voinha” como sua mãe e eu sempre a tive como uma avó. E com minha tia Alice, filha de voinha, eu sempre tive uma relação mais do que especial. Minha tia Alice é uma pessoa espetacular e sempre esteve presente fazendo meus desejos infantís virarem realidade especialmente nos meus aniversários. Eram tempos muito alegres quando minha tia aparecia, como que do nada, para nos visitar em casa. Hostórias, contos, comidas e etc. Seus filhos ( ao todo 8 ) sempre foram presentes em minha vida e são alguns dos meus mais queridos primos.

Pois é: 13 tios por parte de mãe e 8 por parte de pai. Agora imagine a penca de primos que eu tenho: ao todo são 51. Não tenho idéia de quantos filhos meus primos tem. Sem contar os maridos e as mulheres. Pensar nisto morando tão longe as vezes dá uma certa tristeza nostálgica porque é muito bom simplesmente aparecer na casa de meus familiares e festejar com eles a vida.

No nível de tios minha filha vai ter a coisa um pouco mais simplificada. Eu tenho somente um irmão de sangue: Leo. Mas tenho um primo que passou vários anos vivendo com meus pais e que cuidou muito de mim quando eu era bem pequeno. Com este tenho uma relação absolutamente especial e ele é de fato um irmão. Assim de minha parte são somente dois tios e, por agora mas aparentemente em definitivo, 3 primos: Mary Ellen, Dino e Gui. Da parte de Jana será somente uma tia e até agora nenhum priminho.

Conlusão: minha árvore genealógica é um verdadeiro jatobá trançado com outras árvores da floresta.

Com diz a música: “Família, família. Papai, vovó, titia. Família, família.”

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* Família – Titãs

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