Archive for December, 2008

Cabelos Brancos

26 de December de 2008 às 12:25 am

Sabe meu amigo, se tem um conselho bom que se possa dar para um ano novo e para uma possível mudança de vida, esse conselho seria: “Ouça as pessoas de cabelos brancos”.

E os conselhos dados ficam para outro post.

Cheers.

“Mas ei, ei mãe, por mais que a gente cresça há sempre coisas que a gente não pode entender”*

21 de December de 2008 às 3:32 pm

Não consigo fazer a divisa dos momentos de transição do eu infante ao adolescente e, deste, ao adulto. Muitas vezes acredito já haver nascido cinquentão, um grande careta num corpo de criança. Em outras ocasiões me vejo com certo complexo de Peter-pan, um eterno infante que resiste em deixar de lado o lúdico, a minha própria Terra do Nunca.

Minha razão diz simplesmente que não existe transição radical e que sigo sendo a mesma criança, o mesmo adolescente e adulto em um só. Uma espécie de triplo Yin-Yang.

Mas eu não entendo. Não registro. As vezes me sinto um grande não. E vejo neste eu adulto os mesmos conflitos do eu criança com a diferença que mascaro muito melhor. Sim, a experiência me faz ler as outras pessoas bem melhor, me socializou, me mostrou caminhos e matou dúvidas.
Será que o poeta não é somente alguém registrando e sofrendo tudo aquilo que não viveu enquanto os outros estão exatamente ocupados em viver e sentir?


* “Terra de Gigantes” – Engenheiros do Hawaii

Letra perfeita para a ocasião

9 de December de 2008 às 7:59 pm

Angel (Sarah McLachlan)

Spend all your time waiting for that second chance
For the break that will make it OK
There’s always some reason to feel not good enough
And it’s hard at the end of the day
I need some distraction or a beautiful release
Memories seep from my veins
Let me be empty and weightless and maybe
I’ll find some peace tonight

In the arms of the Angel far away from here
From this dark, cold hotel room, and the endlessness that you fear
You are pulled from the wreckage of your silent reverie
You’re in the arms of the Angel; may you find some comfort here

So tired of the straight line, and everywhere you turn
There’s vultures and thieves at your back
The storm keeps on twisting, you keep on building the lies
That you make up for all that you lack
It don’t make no difference, escaping one last time
It’s easier to believe
In this sweet madness, oh this glorious sadness
That brings me to my knees

In the arms of the Angel far away from here
From this dark, cold hotel room, and the endlessness that you fear
You are pulled from the wreckage of your silent reverie
In the arms of the Angel; may you find some comfort here

You’re in the arms of the Angel; may you find some comfort here

Poucos suspiros poéticos mas muita saudade*

5 de December de 2008 às 3:10 pm

Sim, pouca poesia e pouca prosa. Muita coisa acontecendo mas já faz tempo que minha estabilidade foi pro espaço. Tenho chegado em casa sem vontade de escrever.

Sigo a vida em rítmo intenso, em alta velocidade e me questiono se será somente assim que sei viver.

Passei uma semana muito intensa no Brasil, sem tempo livre para quase nada, vendo amigos e família e trabalhando bastante. Cheguei na segunda-feira de manhã do Brasil e já fui direto ao trabalho. Uma semana de trabalho, um fim de semana que queria ter passado em casa mas que acabou sendo com amigos e, no final, foi excelente. Mais uma semana de trabalho, desta vez um pouco fora de foco.

Pronto. Duas semanas e agora estou aqui, em casa, em plena sexta-feira, com a terrível sensação de estar “filando o trabalho” mas com a empolgação de quando estou me preparando para algo que sei que será, uma vez mais, intenso.

Vou mais uma vez para a Alemanha. Sei que o frio está de matar mas meu coração está totalmente aquecido. Vou matar a saudade de minha pequenina. Esta pequenina que conseguiu me transformar num chorão. Logo eu, um dos editores do livro da razão e que nem lembrava o que eram lágrimas.

Agora me sinto incapaz de olhar algumas fotos, e as vezes me derreto com estúpidos comerciais de margarina, papinha e afins. Tento segurar o choro em livros e filmes.

Saudade… essa minha companheira de sempre. Sinto como se sempre estivesse com saudade de algo ou de alguém mas, ao mesmo tempo, sempre com uma certa empolgação pelo agora e pelo que está por vir. Insano, não?

Escrevo agora somente por um chamado de minha prima. Posso dizer que este post é para ela. Não tinha planos, nem idéia do que sairia nas palavras.

Mas, neste momento, penso somente que estou a minutos de pegar o trem para o aeroporto. E aí vem mais uma das jornadas Barcelona-Bad Lauterberg (uma cidade no meio do nada, no pé das montanhas centrais da Alemanha).

Mas eu já criei uma espécie de rotina para estas viagens. São longas. Começa às 14hs quando saio de casa para o aeroporto. Nada de malas, nem check-in. As passagens são mais baratas assim e tudo é mais prático. Vou somente para o fim de semana e não preciso de muito.

Um livro gordo na mão, uma mente fértil de idéias, pensamentos, e estrada. Eis a combinação perfeita para a viagem que hoje termina somente às 22hs quando eu chego numa cidade chamada Goettingen, onde dormirei já que a esta hora não tem mais transporte que me leve a Bad Lauterberg.

Saudade é bicho esquisito. Amor é mais ainda.

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* Parafraseando “Suspiros poéticos e saudades“, título do famoso livro considerado a obra inicial do romantismo brasileiro, de Domingos José Gonçalves de Magalhães.