Archive for May, 2008

L-path

27 de May de 2008 às 1:20 am

Liking———————————————————————————-Liking——–
——–Loved—————————————————————–Living———–Loved——
—————Loving————————————————Late——————————–
————————Laid———————————-Lost————————————
——————————–Lingered——–Lonely——————————————
——————————————–Lying———————————————-

“ … família, família. Cachorro, gato, galinha. Família, família…”*

25 de May de 2008 às 11:56 pm

Minha confusão tem sido tão grande que acabei por me distanciar de tudo e de todos. Esqueci de que os dias seguiam pasando, perdi total controle sobre o calendário e, agora que estou começando a acordar, me dou conta de que deixei passar algumas datas muito importantes como o aniversário de meu sobrinho-afilhado Gui e de que não consegui falar com meu pai (este eu tentei várias vezes) no aniversário dele.

Mas, mais do que deixar estas datas passarem, o crime foi me distanciar de minha gente; da família e dos amigos. Tem tempo que não telefono para ninguém e passei a fazer mais por obrigação do que por prazer ultimamente. Acho que queria me defender não conversando sobre assuntos espinhosos que na realidade hoje vejo que tem que ser conversados. Não acredito que tenha sido somente defesa. Eu estava muito perdido dentro de mim mesmo.

Durante esta semana pensei muito mais do que o normal em minha família. Pensei muito em família na forma geral da palavra e na minha em específico. Minha filhinha vai precisar de muito tempo para entender a loucura que é a família em que ela está entrando.

Minha mãe tem 7 irmãos: Adalberto, Zé Andrade, Leonora, Manuel, Antônio, Maria Ilda e Raimunda. Não obstante a família de minha mãe foi criada de forma extremamente próxima à famíla da visinha de minha avó na pequena cidade de Antas. Os laços entre as duas famílias foram tão fortes que estas de certa forma se fundiram. E se fundiram a tal ponto que para mim até fins da adolescência era tudo uma família só. E é realmente uma família só apesar de não termos ligações sanguíneas. Então existem mais 6 primos/tios com os quais convivi muito intimamente e convivo até hoje. A maioria deles tiveram mais presença ao longo de minha vida que muitos de meus tios co-sanguíneos. São eles: Mário (meu padrinho), Dadau, Mércia, Marta, Aurí e Leda. Meus filhos vão ter de saída, por parte de mãe, 13 tio-avós.

Por parte de meu pai não é exatamente mais simples. Meus avós paternos morreram quando meu pai ainda era um bebê. Meu pai tinha somente uma irmã: Ceci. Os dois irmãos foram criados por duas irmãs de minha avó. Meu pai foi morar com Antônio e Antônia os quais foram meus avós. Meu pai teve então 6 irmãos mais: Ana, Iara, Betinho, Zélia, Lúcia e Wanda. Com isto já vamos por 7. Meu avô Antônio era uma pessoa espetacular e, tanto a pessoa que cuidava da casa (cuja incrível história vale um post) como sua filha foram criadas em conjunto com a família. Meu pai sempre teve “voinha” como sua mãe e eu sempre a tive como uma avó. E com minha tia Alice, filha de voinha, eu sempre tive uma relação mais do que especial. Minha tia Alice é uma pessoa espetacular e sempre esteve presente fazendo meus desejos infantís virarem realidade especialmente nos meus aniversários. Eram tempos muito alegres quando minha tia aparecia, como que do nada, para nos visitar em casa. Hostórias, contos, comidas e etc. Seus filhos ( ao todo 8 ) sempre foram presentes em minha vida e são alguns dos meus mais queridos primos.

Pois é: 13 tios por parte de mãe e 8 por parte de pai. Agora imagine a penca de primos que eu tenho: ao todo são 51. Não tenho idéia de quantos filhos meus primos tem. Sem contar os maridos e as mulheres. Pensar nisto morando tão longe as vezes dá uma certa tristeza nostálgica porque é muito bom simplesmente aparecer na casa de meus familiares e festejar com eles a vida.

No nível de tios minha filha vai ter a coisa um pouco mais simplificada. Eu tenho somente um irmão de sangue: Leo. Mas tenho um primo que passou vários anos vivendo com meus pais e que cuidou muito de mim quando eu era bem pequeno. Com este tenho uma relação absolutamente especial e ele é de fato um irmão. Assim de minha parte são somente dois tios e, por agora mas aparentemente em definitivo, 3 primos: Mary Ellen, Dino e Gui. Da parte de Jana será somente uma tia e até agora nenhum priminho.

Conlusão: minha árvore genealógica é um verdadeiro jatobá trançado com outras árvores da floresta.

Com diz a música: “Família, família. Papai, vovó, titia. Família, família.”

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* Família – Titãs

“Era uma casa muito engraçada, não tinha teto não tinha nada”*

24 de May de 2008 às 11:59 am

Acordo tarde neste sábado. Finalmente depois de uma semana estou realmente em casa. Voltei no domingo mentalmente acabado. Segunda trabalhei até bem tarde e cheguei em casa para dormir. Não consegui até de madrugada e acabei “brincando” de colocar este “novo” blog no ar.

Terça vou dançar e chego em casa morto de sono mas permaneço acordado outra madrugada. Falo longamente com Alf. Esta foi a parte divertida. Na quarta fui “ver” um show de bossa nova com amigos num bar português. Cheguei em casa bem tarde mas ao menos esta noite dormir tarde valeu a pena.

Quinta trabalhei até bem tarde na UAB e acabei dormindo na casa de Genaro. Ontem cheguei “cedo” em casa – por volta das 10 da noite. Finalmente tive tempo de olhar a casa. Não tinha energia para colocar nada em ordem mas pude ver como estava bagunçada.

Finalmente pude dormir bem. Finalmente vi a casa. 90% de minhas roupas estão sujas, odeio o chão grudento, minha pobre cozinha uma confusão, seis garrafas vazias de vinho e muito lixo à espera de ser levado à lixeira mais próxima. Tudo desorganizado.

Não chega a ser o caos mas somente hoje fui capaz de ver, estar em casa, sentir esta tranquilidade de estar em casa. Acordo com mais energia, faço café da manhã e penso que não tomei café da manhã algum durante toda a semana. Coloco música, cozinho devagar. Organizo o lixo, começo a colocar a casa em ordem. Abro a janela e entra uma brisa de chuva maravilhosa, refrescante. Tem muito a ser feito mas sinto uma felicidade em dar os pequenos passos. Paro para comer e coloco um capítulo de House. Quanto tempo que não assisto as séries que tanto gosto. Quanto tempo que não me sinto assim… a vontade.

Necessito de solidão. Preciso de tempo para mim. Tempo para pensar, ou para não pensar. Para mim. Não tinha esta necessidade antes e era “namorada-dependente”. Sou feliz só e me pergunto se posso voltar a ser um dia acompanhado. Mas este não é o pensamento importante.

O importante é: Por que não consigo dar os passos e organizar minha outra casa, está que está um verdadeiro caos, lixo por todos lados, o chão grudento, a cozinha agonizante? Esta minha casa sem paredes e sem teto chamada vida.

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* A Casa – Vinicius de Moraes

“Amanheceu o pensamento… o poeta está vivo”*

23 de May de 2008 às 6:46 pm

Sim, sim… o poeta está vivo. Por recomendação de Alf entrei no blog “Meus Rascunhos” de Fernando Palma.

Não conheço ele mas o que ele escreve é poesia pura, profunda, especial, fantástica… sem adjetivos. Poesia para sentir…

Uma palhinha:

Enciclopédia Poética – I

Ansiedade

É quando relógio do tempo se atrasa em relação ao seu.

Fase Adulta

É quando as crianças começam a brincar de ser gente grande. A maior parte delas brinca compulsivamente e acaba se viciando.

Saudade

É um poema pequeno, bem pequeno. Tão pequeno que tem apenas uma palavra.

Dica: Se desejar, faça o teste, envie este poema para alguém.

Amor

É uma doença ao contrário. Quem pegou, não tenta se livrar do vírus e sim contagiar. Se você sente algum sintoma, contagie a pessoa o mais rápido possível. Adoecer de amor sozinho pode ser maligno.”

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* O poeta está vivo – Barão Vermelho

“Você tem medo de que?”

23 de May de 2008 às 1:46 pm

A muito tempo venho pensando o que limita ou ajuda o homem a se manter correto e ético. Por quais razões o ser humano se limita e escolhe dentre possíveis ações aquelas considerada saudáveis ou de certa forma colectivas. São exemplos simples, como o bem vestir, etiqueta, alimentos com menos gordura, busca de informações, cultura e trabalho.

Dentre os possíveis argumentos que motivam o homem, o primeiro e talvez o mais primitivo é o medo. Mas o medo nunca é dissociado do objeto. No caso do homem, o medo está na não aceitação social. Talvez sob uma analize mais primitiva, a educação tem uma bipolaridade entre o medo e o prazer. Aceitamos algo como correcto se tivermos medo do não acão ou tivermos prazer com a mesma. Tem uma expressão popular para o medo. Ouvia, na minha infãncia, que algumas pessoas só aprendem “levando na cabeca”. Uma aluzão à necessidade de alguns a experimentar os efeitos da ação para definir o nivel de medo associado a essa.

Seria então a expressão do homem no seu meio uma forma de controle do meio sobre o homem? Essas interações são difícieis de se generalizar. O papel social lembra o homem das suas responsabilidades para com o meio. O comprometimento por essas responsabilidades faz com que haja uma sinergia entre o homem e o meio, onde o ‘eu’ se beneficia de status por seguir o combinado com ‘voces’. Fica então a questão se o papel social limita o crescimento do ‘eu’ como conciência.

“Terra! Por mais distante, o errante navegante, quem jamais te esqueceria?”*

20 de May de 2008 às 7:36 pm

“De onde nem tempo, nem espaço
Que a força mãe dê coragem
Prá gente te dar carinho
Durante toda a viagem
Que realizas do nada
Através do qual carregas
O nome da tua carne…”*

Este vídeo abaixo nos mostra a dimensão de nossa mesquinhez e insignificância. E, paradoxalmente, também nossa grandeza.

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* Terra – Caetano Veloso

Por debaixo da terra…

11 de May de 2008 às 11:11 pm

Me sinto como nosso planeta.
Por fora calmo, cheio de vida, as árvores crescem e a vida é exuberante.
Por dentro uma bola de fogo, o magma, altas pressões.

Nos poucos momentos em que algo fura a delicada proteção exterior sai um vulcão de sentimentos e se solidifica uma nova paisagem.

Não sei o porquê mas sempre escondi os sentimentos em uma imágem de pura estabilidade e muitas vezes frieza. Meu irmão que o diga. Poucos foram capazes de ver através da capa.

Qual o problema agora? Perdi completamente o controle sobre o que pode ou não furar a terra… a pressão é muito forte.

Não posso seguir assim por muito tempo. Mas não quero voltar ao equilíbrio anterior. E sinto que sou 10 pessoas em uma. Isto tudo é uma loucura.

O período de céu azul foi maravilhoso, a vida voltou a fazer sentido. Mas estou de volta e, por agora, ainda consigo me manter de pé.

PS.: Quanto aos últimos posts, longos, eles são um esforço para documentar minhas histórias para a posteridade. Penso em um dia juntar tudo em um livro para meus filhos. Quem sabe eles possam me entender algum dia.

A todos uma boa noite de sono.

“… 110, 120, 160. Só pra ver, até quando o motor aguenta…”*

11 de May de 2008 às 10:55 pm

Passo rapidamente a quinta marcha, volto a sentir o acelerador sob meu pé direito. O carro responde como esperado: 100… 120… 140 Km/h. O dia parece perfeito para o ensejo. Um verde ensolarado passa rapidamente pelos cantos dos meus olhos mas meu olhar está fixo na estrada. O carro pede mais e eu passo lentamente a sexta marcha. Minha mão vai ao câmbio e passo a marcha como alguém que coloca na colher o último pedaço da sobremesa. Meu coração dispara quando constato discretamente que cheguei aos 180 quilômetros horários.

Uma excitação pueril me invade, algo de meu lado criança, como quem está abrindo a caixa do tão esperado brinquedo novo. O carro ainda tem potência de sobra e eu estou disposto a fazer um bom uso dela. 190… 200 Km/h. Wow. “Mamãe, estou a 200 Km/h” – penso. 210 Km/h. Sinto o carro muito próximo ao solo e me sinto como que fundido à máquina, os amortecedores são minhas pernas, as rodas meus pés. Sinto toda a irregularidade da estrada e tenho a nítida sensação de que uma pedra qualquer pode me mandar diretamente para a Lua. O carro ainda não está no limite e quando decido pisar um pouquinho mais flashes da minha história com carros passam rapidamente em minha mente…

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Desde que me entendo por gente que gosto de carros. Desde criança vejo Fórmula 1. Na falta de carrinhos eu brincava de “corridas” usando o baralho sobre o sofá; cada carta era um carro. Meu pai sempre teve uma vida errante neste quesito. Quando eu ainda era bem pequeno meu pai teve um chevette que pegou fogo dentro da garagem de casa. Acho que tenho alguma vaga lembrança do chevette mas nada realmente concreto. Me pergunto se tudo isto me influenciou para decidir por engenharia mecânica quando era óbvio que eu deveria fazer elétrica (outra história).

Sempre passamos por períodos com carro e períodos sem carro. Um dia meu pai apareceu com um fusca verde. Tivemos este fusca por muitos, muitos anos. Até hoje não sei exatamente o rolo que meu pai fez para ter o fusca mas eu sabia que ele não tinha os documentos para poder vender o carro. Sem dúvida este foi o motivo de tantos anos com o fusca que, perto do final de sua vida útil, foi carinhosamente apelidado de abacatão, por motivos óbvios :)

Este fusca marcou toda uma etapa de minha vida. Era com ele que meu pai nos levou todas as manhãs à escola, dos meus 7 até 16 anos. Houveram caronas regulares como de Ramon ou Tom. Até chegar no inacreditável verde abacate, o fusca passou por muitas pinturas e vários tons de verde. O que mais gostei foi um verde metálico escuro.

O ritual era sempre o mesmo: pintura, pontos espassos de ferrugem, muita ferrugem, alguns concertos em marrom, o carro está mais marrom que verde e nova pintura.

Foi neste fusca que aprendi a dirigir. Nesta época “abacatão” tinha uma folga no volante de ao menos uns 30 graus. Você girava o volante e o carro continuava indo reto. Parecia uma cena de filmes antigos onde o cara dirige no estúdio girando o volante compulsivamente para direita e para a esquerda.

Abacatão não tinha mais o banco do carona e ao passar por qualquer buraco ambas as portas abriam automaticamente. Era um carro com personalidade forte. Ao abrirem as portas você tinha que tentar fechar enquanto mantinha o carro indo reto com todo cuidado com a folga do volante. Isto é uma escola e tanto para quem está aprendendo a dirigir. Não posso esquecer que o carro só ligava na segunda, na base do empurrão e, de vez em quando, exigia uso de algum conhecimento mais avançado de mecânica.

Para evitar a abertura das portas passávamos uma corda, destas de varal, entre as maçanetas internas de ambas portas. Uma vez, com as portas devidamente atadas, deixamos de dar carona a um conhecido pela vergonha de ter que desatar e voltar a atar as portas.

Mas a gente podia ir e vir e, numa cidade como Salvador, você só sabe a falta que um carro faz quando não tem um. Dos 15 aos 17 anos eu dirigia o fusca para percursos curtos, pelo prazer de dirigir. Para lugares distantes eu usava o transporte público como todo mundo apesar de que, de vez em quando, eu sofrer algum pequeno furto (mas isto é outra história). Quando fiz 18 anos meu maior objetivo era tirar diretamente a carteira de habilitação. Infelizmente o fusca tinha sido aposentado pouco antes e estávamos sem carro. Tirei a carteira assim mesmo mas fiquei um bom tempo sem dirigir.

Depois do fusca meu pai teve um chevette prata (este era apelidadeo chevelho). Foi o carro que eu e meu irmão mais curtimos. O que mais nos levou e onde mais dirigimos. Foi a época de nosso primeiro namoro e não era fácil dividir o carro mas o fato de sairmos muito juntos e das namoradas serem amigas facilitou bastante. Boa época esta, uma das que mais sinto saudades. Principalmente porque foi de certa forma a que mais estive mais próximo ao meu irmão. Saudades dos jogos de dominó :-)

Lembrei também do primeiro carro que comprei. Este, Guna foi o que mais conheceu. Um chevette prateado a àlcool que pertencia ao meu chefe no meu primeiro emprego. A empresa era a recém formada 4COM e eu trabalhava inicialmente na casa de um dos donos porque ainda não tínhamos um escritório. Quando montamos o escritório (uma salinha 2 x 3m que se assemelhava a um corredor) eu tive contato com os outros donos e acabei comprando o chevette 82 de Falcão (uma pessoa espetacular que vale muitas histórias por aqui).

Eu ganhava 500 reais bruto e comprei o carro por 1900 reais. Não houve seguradora que quisesse colocar seguro num carro tão velho – estávamos em 1996, eu tinha 20 anos e estava terminando a faculdade de informática.

A “felicidade” do carro próprio não durou muito. Passei rapidamente no aniversário de uma amiga em Itapuã e quando saimos (eu estava com minha primeira namorada, Andrea) eu não conseguia encontrar o carro. Ele tinha sido roubado, junto com os módulos pré-vestibular de minha namorada, uma placa de vídeo que Guna tinha me emprestado além de um milhão de bugingangas diversas minhas (até uma pedra – ops, ops, uma rocha – que eu tinha pego na estrada para meu irmão geólogo).

A parte cômica desta história aconteceu no outro dia. Como eu sempre passava para buscar Guna para ir ao trabalho, peguei emprestado o carro de meu pai (um corcel II tão velho quanto meu ex-chevette). Guna se surpreende do fato de eu estar com o carro de meu pai e pergunta o motivo. Eu respondo que tenho uma má e uma péssima notícia para ele. “O que foi?” – pergunta Guna e eu respondo “Rapaz, a má notícia foi que roubaram sua placa de vídeo. Sinto muito”. Guna pertunga como e respondo: “A péssima notícia é que levaram meu carro junto”. E demos boas risadas.

De aí em diante aumentei minha expectativa quanto a carros. Meu próximo carro seria um carro “segurável” :-)

A esta altura eu tinha subido bastante na 4COM, já ganhava mais que o dobro do que antes e resolvi mudar de emprego. Eu passei a ganhar menos no novo emprego e foi difícil explicar na 4COM. Eu adorava o pessoal lá e o clima da empresa e sabia que eles iam me valorizar mais e mais. Mas, na outra empresa – UNITECH – eu trabalharia com um sistema muito mais desafiante, iria aprender muito. E, verdade seja dita, aprendi realmente bastante embora ganhasse uma verdadeira miséria. Sai de 1200 reais na 4COM para 900 na UNITECH e segui por mais um par de anos isento no IR :)

Na UNITECH montei todo um sistema de controle de minhas finanças com 2 objetivos: 1-visitar meu irmao nos EUA e 2-comprar um carro que pudesse colocar no seguro. Alcancei os 2 quando comprei um corsa preto 1.4 (financiado, claro). Uma maravilha!

Só tinha um problema. O aperto foi tão grande que eu não tinha dinheiro para colocar gasolina e o carro ficou parado os primeiros dias no estacionamento. Eu pegava orgulhoso os 3 ônibus para ir ao trabalho pensando que isto agora ia durar muito pouco. Ele iria ficar parado por ao menos um mês não fosse pela ajuda de meu pai (que me ajudou indiretamente para não ferir meu orgulho) e de alguns amigos como Johnny.

Alguns anos depois, quando eu já ganhava bem o suficiente, comprei um Palio completo 16V com somente um ano de uso na mão de um amigo. Foi o melhor carro que tive. Vendi um ano depois de vir para Europa para o irmão do primeiro dono, o grande amigo Paulo Jorge. Isto depois de um acidente com o carro, que foi a cereja no fim de um relacionamento tempestuoso. Lógico que eu já não tinha mais seguro mas isto é outra história.

Uma irregularidade na pista me traz de volta à realidade…

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220 Km/h. Me pergunto como posso ir tão rápido e tudo passar tão lentamente. Agora compreendo os corredores de Fórmula 1. A velocidade é algo fantástico. Pisar um pouco mais ou terminar com o que agora começava a ser um martírio pela insegurança que passei a sentir?.

Inacreditável que, depois de tudo, estou aqui, em plena Alemanha, dirigindo um audi A6 alugado, entre Passau e Munich, batendo meus récordes pessoais de velocidade e, a esta altura, morto de medo.

Enquanto estou tomando a decisão de acelerar ou não um outro carro passa por mim como se eu estivesse a 80 por hora e ele voando baixo. Um Porsche negro. Sim, ele estava voando baixo. Desisto de acelerar mais. Me deparei com meus proprios limites. 220 Km/h por algum tempo e desaceleração.

Saio com uma nova idéia de futuro na cabeça: Alugar um Porshe!

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* Infinita Highway – Engenheiros do Hawai

Só o fim by Camisa de Vênus

4 de May de 2008 às 2:13 am

Se o chão abriu sob os seus pés
E a segurança, ela sumiu da faixa
Se as peças estão todas soltas
E nada mais encaixa
Oh, crianças isso é só o fim
Isso é só o fim
Isso é só o fim
Algo que você não identifica
Insiste em lhe atormentar
Você implora por proteção
Não sabe como vai acabar
Oh, crianças isso é só o fim
Isso é só o fim
Isso é só o fim
Esse calor insuportável
Não abranda o frio da alma
A vida já não é mais tão segura
E nada mais lhe acalma
Oh, crianças isso é só o fim
Isso é só o fim
Isso é só o fim
Sempre acorda angustiado
E apressado você vai pra rua
Mas mesmo assim acordado
O pesadelo continua
Oh, senhoras isso é só o fim
Isso é só o fim
Isso é só o fim
Oh, senhores isso é só o fim
Isso é só o fim