Archive for April, 2008

"Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver"*

30 de April de 2008 às 12:52 am

Existem momentos mágicos e deles se alimenta o viver.

Hoje foi um destes dias de céu azul. Sei que é um engano o céu azul no olho do furacão, mas isto não quer dizer que teria que deixar de aproveitar este momento especial.

Fui pro show de Milton Nascimento e Jobim Trio, preparado para ser especial. Mas não estava preparado para tanto. Foi mágico, uma noite mágica.

Mas sei que “meu caminho é de pedras, como posso sonhar”*? “Sonho feito de brisa, vento vem terminar”*.

Espero chegar logo à última estrofe que entitula o post.

A todos muito boa noite que hoje, acredito, dormirei feliz.

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* Travessia – Milton Nascimento

"Ajayô, ajayô ô ô ô. Axé babá, axé babá á á á" (1)

27 de April de 2008 às 11:39 am

Em meados de 2000 fui pros EUA visitar Douglas. Estou andando por Manhattan, descendo a quinta avenida, atravesso uma rua e escuto alguém me chamando (aos gritos) pelo apelido de infância:

– Polho, Polho.

Nos segundos que meu cérebro demorou em registrar, aceitar e processar o que estava acontecendo eu escutava outra pessoa dizendo:

– Não é Polho
– É sim.

Me viro e vejo Christiano e Toy, dois amigos das antigas e que eu não via fazia alguns anos.

Batemos papo, eles estavam morando em NY, vivendo a vida, trabalhando e comendo à base de White Castel ( uma espécie de McDonalds super-hiper-mega barato onde você compra hamburguer à duzia, literalmente ).

Depois de muita risada e uma curta troca de experiências cada um segue o seu lado. Quando estou entrando no trem que me levaria a New Jersey notei que esqueci de pegar o telefone deles. A gente poderia sair alguma noite para tomar uma e papear mais.

Comento isto com Douglas que da muita risada da minha cara. Primeiro pelo fato inacreditável de eu encontrar amigos quando estou passeando por NY. Segundo por ser desligado o suficiente para não trocar telefones.

Termino respondendo a Douglas que acabarei encontrando Crhistiano e Toy “por ai”.

Três dias depois vou com Douglas à noite tomar uma de bar em bar no Village e adivinhem que eu encontro? Pois é, lá estão Chris e Toy caminhando pela mesma rua sem destino como eu e Douglas.

Meados de 2004, estou vivendo em Barcelona perto de defender meu mestrado e meu orientador decide que vamos a Salvador para uma especie de conferência-encontro onde meu orientador vai fazer uma apresentação e tentar vender a idéia de um doutorado conjunto entre alguma universidade de Salvador e a Universidade Autônoma de Barcelona (até hoje não entendo como pode ter faltado vontade política por parte do Brasil de colocar esta idéia em prática, imagine somente que os diplomas seriam duplos europeu e brasileiro – uma pena).

Estamos alí buscando o secretário da Fapesb quando reconheço a pessoa que está, de terno e gravata, ao lado do secretário. Era Christiano! Mais uma vez damos muita risada. Ele me explica que estava acessorando a Fapesb. Isto ajudou a gente a conversar com o governo. Conversei bastante com Chris neste dia, atualizamos a vida e ele disse que um dia destes viria me visitar em Barcelona.

Ano 2006. Estou me preparando para iniciar a escritura de minha tese. Recebo um email de Christiano convidando para ir a um show de sua banda em um bar de Barcelona. “Barcelona???” Penso eu. Convido um par de amigos espanhois, respondo seu email dizendo que vamos e “incluindo nosso nome na lista de entrada”. Prática esta bastante brasileira, importada por Christiano, e que evitou que pagássemos os 7 euros da entrada.

Christiano tinha saído da Fapesb e estava fazendo uma pós aqui em Barcelona. Na realidade ele estava tocando com sua banda e estudando nas horas vagas. Le pergunto de Toy e descubro que ele está morando na Austrália.

Christiano foi ficando, foi ficando e segue por aquí. Anteontem fui para mais um show da banda de Christiano, Iyexá. Gosto muito dos seus shows, música baiana bem selecionada e acabo sempre conhecendo alguns brasileiros mais.

Encontro entã0 com Toy que está agora morando em Barcelona e fazendo algum tipo de curso. Trabalha de VJ em uma discoteca e está iniciando hoje em alguma barraca de praia, trabalhando na cozinha – cozinha, Toy???? hummmm.

Pensando nas letras das músicas cheguei à conclusão que, assim como os americanos fazem sua catarze e escrevem sua história com filmes hollywoodianos; os cariocas sonham através de suas novelas exibindo os desejos de ser classe média alta com casas decoradas, roupas de marca e do Rio ser o umbigo do mundo. Nós, os baianos, cantamos nossa vida, nosso dia a dia, mas não o da classe alta e sim a do povo de verdade, com letras e músicas escritas por pessoas que fazem parte deste povo.

Se é verdade que “quem canta os males espanta” a Bahia é uma terra pura de todos os males.

Nas letras estão com igual status o Corredor da Vitória, a “negra do cabelo duro” e o bairro da Liberdade. Isto sem contar a “ladeira do Pelô”, Curusu, Amaralina, e até a Boca do Rio que é “beleza pura”. Bairros de classe alta e não tão alta assim.

Mas, para mim, o mais interessante é que a felicidade está presente em todas as castas e isto não deixa de ser verdade. “O nordestino é acima de tudo um forte” e, além de forte, é alegre apesar de toda adversidade. “Alegria, alegria é o estado que chamamos Bahia”.

É uma verdadeira pena ver que o “Haití é aqui” e doi presenciar o “paradoxo” entre riqueza e pobreza “escondido na areia”, um com visão romântica da sereia do mundo enquanto os “outros a desejar seu rabo para ceia”.

E ao olhar para política, ao conversar com a classe média e com a elite universtitária não dá para deixar de pensar: “Ôôô , ôô. Gente estúpida. Ôôô , ôô. Gente hipócrita.”

E “quando você for convidado pra subir no adro da Fundação Casa de Jorge Amado” verá onde foi o último Pelourinho, onde os escravos foram torturados. Constatará que ainda hoje “ninguém é cidadão”. “Como é que pretos, pobres e mulatos, e quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados”?

E nós cantamos nossas virtudes, nossos males, desejos e amores. Em música ritimada, nos batuques, nas letras, nas palafitas, nos barracos. Cantamos, dançamos e festejamos. Criamos uma democracia da música onde as classes se encontram. Mas estamos longe de romper os préconceitos. Longe de romper as amarras para encontrar o bem estar desta gente.

“Mas é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter sonho sempre”. E “andar com fé eu vou”. Fé de que um dia isto tudo mude e possamos resolver nossos problemas de educação, segurança e pobreza.

Afinal “é claro que o sol vai voltar amanhã”(2) e na Bahia o sol volta sempre bem quente e muito forte.

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(1) Ajaiô – Luis Calda
(2) Acredito ser a única citação neste post de uma música que não foi composta por um baiano. Mais uma vez – Renato Russo

Viva a mentira

25 de April de 2008 às 3:09 am

Tem dias que é melhor nem existir.
Dias em que a única coisa que vc quer é desistir.

Hoje aprendi definitivamente que a verdade não vale a pena.
Sabe. eu tinha ilusão de que a verdade era a essência da moralidade, mas cheguei a conclusão que o mundo é imoral.

Portanto, viva a mentira e a imoralidade.

Na Volta Que O Mundo (Vânia Abreu)

23 de April de 2008 às 11:30 pm

“Um dia eu senti um desejo profundo
De me aventurar nesse mundo
Pra ver onde o mundo vai dar

Saí do meu canto na beira do rio
E fui prum convés de navio
Seguindo pros rumos do mar

Pisei muito porto de língua estrangeira
Amei muita moça solteira
Fiz muita cantiga por lá

Varei cordilheira, geleira e deserto
O mundo pra mim ficou perto
E a terra parou de rodar

Com o tempo
Foi dando uma coisa em meu peito
Um aperto difícil da gente explicar

Saudade, não sei bem de quê
Tristeza, não sei bem por que
Vontade até sem querer de chorar

Angústia de não se entender
Um tédio que a gente nem crê
Anseio de tudo esquecer e voltar

Juntei os meus troços num saco de pano
Telegrafei pro meu mano
Dizendo que ia chegar

Agora aprendi por que o mundo dá volta
Quanto mais a gente se solta
Mais fica no mesmo lugar”

Bateu saudade de meu irmão…
Boa noite a todos.

Onde?

22 de April de 2008 às 2:28 pm

Se você não tivesse restrições financeiras, não fosse casado, e o emprego não te limitasse. Em outras palavras, se você pudesse escolher livremente.

Onde você moraria?

Confesso que não tenho uma resposta satisfatória ainda que esteja muito feliz com minhas escolhas até agora.

E você?

Medo

19 de April de 2008 às 3:06 pm

Às vezes achava que não tinha vivido o suficiente e por isso tinha esse medo da morte.

Mas quando olho para tudo que se passou tenho a certeza que não tenho medo da vida e nem mesmo da morte pois diferente de muitas pessoas sempre me joguei de cabeça em tudo em que acreditei.

Desde uma simples paixão de verão, daquelas correspondidas e algumas vezes não correspondidas, a coisas relacionadas ao trabalho.

Mas se morresse agora seria chato mas se vier espero mesmo que seja de avião.
Agora que não tenho ninguém que dependa de mim, agora que posso escolher viver por um tempo em vários países do mundo. Agora que estou prestes a conseguir fazer uma viagem sem planos (www.semplanos.com) mas com dinheiro garantido. Agora que tenho o objetivo de morar pelo menos por seis meses em todos os continentes. Agora a morte seria chata mas se vier que venha na volta pois na ida é muita sacanagem.

"When you only got 100 years to live" [1]

19 de April de 2008 às 12:24 pm

Desde que tomei a decisão de abandonar meu cantinho ao sol na minha terra natal parece que os anos tem rendido muito mais. Em 6 anos fiz um doutorado e um pós doutorado, viajei por meia Europa (numa conta imprecisa viajei mais ou menos 100 vezes em avião – entrei em um pela primeira vez com 22 anos), me mudei ao menos 5 vezes, vivi em 3 países, dei muita risada, contei muita história e sofri muito também (não necessariamente nesta ordem).

E, de repente, começo a mentalizar que, apesar de tudo, viver a vida é maravilhoso. É um bilhete só de ida onde você tem que percorrer o caminho com suas próprias pernas mas tem muita coisa interessante para se fazer durante a caminhada.

Nunca em minha vida pensei disfrutar tanto dançando. E, quinta-feira, cheguei em casa morto de cansado, acabado, às 4 da matina, de tanto dançar. Com amigas, com meninas desconhecidas, sozinho, girar, pular, errar passos, sorrir, conversar…

As vezes penso que na rápida ampulheta de uma vida eu demorei muito para descobrir atividades que me fazem feliz. Sim, gosto do que faço para ganhar a vida. Sempre gostei. Mas confesso que passei dos limites. Durante os anos da universidade lembro que ia pela manhã para a UFBa, pela tarde para a UCSal, à noite de volta à UFBa e depois eu ia para a Vitória/Graça dar aulas particulares e com isto ganhar o dinheiro necessário para viver mais uma semana e satisfazer meu sonho de comprar um carro.

Ai, ai… tão efêmero carro… hahahahaha…

Ahh… ainda tinha uma namorada que eu via ao menos 3 dias na semana. Como? Hahahaa….

Gostava muito de minha vida mas ela estava somente de um lado. Demorou para descobrir o que era um restaurante ou o prazer de ter algumas coisas. Demorou mais ainda para curtir viagens e ir a pousadas.

Muito mais para curtir dançar. Agora estou em aulas para aprender a velejar e estou curtindo muito. Minha vida é muito mais intensa e assim como era difícil romper a inércia de quando eu estava parado, trabalhando, agora é difícil romper a inércia das atividades.

Tenho saído muito, com muitos diferentes amigos, e sinto falta de sair com outros amigos. Tenho trabalhado muito, aprendido mais ainda. Sofrido com os caminhos da vida mas curtido também as alternativas que estes caminhos apresentam.

Agora estou em casa, organizando fotos, vendo na janela a luz do sol e me preparando para dar uma saída. Penso em quem sabe poder sair à noite para tomar algo e dançar um pouco. Vejo que tenho muito para arrumar na casa e gosto disso. Penso nos desfios do futuro que me dão medo mas que podem me trazer muita felicidade tbem.

Entro no chat com um amigo e fico super feliz com uma notícia sua. Amo muito meus amigos e é tão bom ter verdadeiro prazer e se sentir verdadeiramente feliz com a conquista dos outros como se fossem suas.

De repente, meus anos tem sido intensos. De repente tenho muito o que contar sobre a semana que se passou. Nesta semana fiz muito. Trabalhei, registrei meu primeiro pedido de patente (espero que saia), encontrei com um amigo brasileiro em lua de mel e ficamos duas noites batendo papo até as 3. Dancei muito, tive 2 aulas e fui uma noite para dançar, dançar até o corpo pedir para parar. Registrei meu domínio e estou entrando na net por pura curiosidade do que são as diferente ferramentas. Criei uma web de brincadeira no meu computador pessoal e estou jogando com “Ruby on rails”. Não, isto de web e dominio e host não vai dar em nada. Mas, não importa. Não sou mais tão exigente comigo mesmo. Está dando diversão e aprendizado agora. É tudo que quero. Um dia feliz não tem preço. Acordar colocando música e fazer as tarefas da casa dançando e cantando é impagável.

Afinal, não posso voltar a esquecer que temos somente 100 anos para viver, e isto, se tivermos muita sorte!

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[1] 100 Years – Five for Fighting

Educação

11 de April de 2008 às 9:21 pm

A hora no trem…

11 de April de 2008 às 5:58 pm

Acho interessante refletir como nossa percepção é relativa.

Todos os dias vou e volto do trabalho usando transporte público. Não tenho uma forma padrão de ir para o trabalho.

Pensando friamente, é um verdadeiro martírio :-)

São inevitavelmente três transportes. As vezes vou de metrô, trem regional e o ônibus do polígono industrial; as vezes pego dois trens regionais e o bendito busu; e, mais raramente, ônibus, trem e outro busu.

A realidade é que gasto entre uma hora e uma hora e meia para chegar ao trabalho. Eu ficava sempre pensando no divertido que seria ter algum amigo para papear durante o trajeto.

No início era sim um sofrimento. Sou muito ativo e ficar tanto tempo dentro de transporte é um transtorno. Então comecei a escutar música. É muito legal mas não satisfaz minha impaciência.

Daí vieram os jornais gratuitos. De um jornal a outro cheguei ao ADN que tem um sudoku na última página.

Perfeito. O sudoku fácil sempre saia mas o difícil consumia meu tempo do segundo trem (o mais longo) e, ainda assim, não era garantido que eu conseguia fazer.

Passei a fazer a “competição sudoku” entre eduardo e adn. Eu contava quantos dias na semana conseguia terminar o sudoku. O objetivo era, dos 5 dias úteis, acertar o bendito sudoku em ao menos 3. Ficava 3×2 e eu ganhava.

Mas o cerebro funciona, e funciona bem. Um mês depois e eu já estava dando de 5×0 todas semanas. Ainda assim é algo divertido que continuo fazendo só que agora na volta de metrô.

Passei então a ler livros. Massa. Depois senti que precisavar ler mais sobre o meu trabalho e passei a ler um livro técnico. Acho livros técnicos um saco e passei a dividir a viagem em diferentes atividades.

Então recebi um laptop no emprego e passei a usar ele no trem mais longo. E foi então que o sistema entrou em rítmo acelerado.

Descobri que eu tinha um “backlog” de atividades imenso e que poderia dar vazão a elas no tempo mais morto do meu dia: o transporde de ir e vir.

Sempre tive vontade de ver as palestras do TED. Coloquei no horário do trem. Quando chego em casa estou morto e minha contabilidade pessoal está sempre atrasada. Solução? Faz no trem.

Fiz um pacto com um amigo de escrever para um blog técnico. Advinhou? Lógico, escreve no trem.

No caminhada do trabalho até o ponto de ônibus vou pensando o que fazer na viagem de trem. E o tempo passa voando.

Até que um dia quando sai do ônibus e cheguei na estação de trem, decidido a ver um vídeo e responder uns emails (offline of course) durante o percurso, encontro um conhecido. E, minha reação instantânea foi a de pensar: “que saco… hoje não vou ter tempo para fazer nada”.

Que irônico, pensei logo depois. Antes isto era tudo o que eu queria 😀

Acontece que agora o tempo do trem entrou em colapso. Tenho muito mais atividades do que tempo de transporte. Ler jornal no primeiro metrô (ADN com o sudoku mas não toco no bendito). Transbordo. Atividades no computador no trem (palestra, escrever, ler blogs, responder emails, ler artigos, corrigir artigos para conferencias ou para amigos, ler algum livro, ler um capítulo do livro técnico, …). Transbordo e ônibus até o trabalho. Leio outro jornal.

Na volta: Caminhada até o ponto. Penso na atividade do trem. Esperando o ônibus, no percurso e esperando o trem. Finalmente o sudoku! Trem na volta (1001 atividades). E finalmente o metrô na volta quando divido o tempo entre ler algo e pensar no que vou fazer para jantar.

Uma loucura.

Agora inventei de entrar em um curso para aprender a velejar. As aulas teóricas são aqui mesmo no trabalho. Primeira aula e o professor da um livro e diz que a gente tem que ler 2 capítulos até a próxima aula na semana que vem.

Advinhe em que horário agendei minha leitura???

Mês movimentado

10 de April de 2008 às 7:49 am

Trabalho, Califórnia, circo de soleil , meu amigo Argollo em Braga….
E tudo isso misturado com ceveja, vinho…
Isso para mim é estar vivo.

Viver é não pensar na vida.

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